Mangá - Historias em Quadrinhos do Japão

MANGÁ

Mangá é uma palavra criada pelo gravurista Katsuhika Hokusai (1760-1849) , hoje são revistas de 600 páginas com tiragens de 4 milhões de exemplares por semana contendo sagas intermináveis em longas novelas episódicas, um dos mais populares no Brasil foi 'Akira' de Katsuhiro Otomo.

O Mangá é produzido para meninos, meninas, adultos, e chega a ter na lombada a indicação conforme a série escolar do leitor, uma indústria segmentada com apoio de video-games, animação de TV etc... Que já abafou as vendas de personagens como 'Mortadelo e Salaminho' na sua cidade de origem, a Catalã Barcelona (Espanha), uma signagem visual e ritmo narrativo vertiginoso que dominou Europa e USA e que vem crescendo no Brasil.

No Japão, o Mangá para meninas começou a ser feito por mulheres nos anos 50 (pós-guerra) e nos anos 60 surgiu o “Grupo das 24”, várias autoras, todas de 24 anos de idade, nascidas em 1949 (pós-hiroshima) como Riyoko Ikeda, Machiko Satonaka e outras, abordando temáticas femininas como a solidão, a gravidez, o luto por entes queridos, a incomunicabilidade entre gerações, etc... Metáforas visuais da vida interior, conflitos psicológicos , olhos grandes e semblantes melancólicos.

O “Grupo das 24” inicia uma nova linguagem icônica para retratar os estados de espírito das personagens, desde as capas e páginas coloridas internas, em suaves aquarelas pastéis degradées, e dentro (ao contrário das tirinhas horizontais e verticais do mangá para meninos) as 24 iniciam diagonais, sobreposições de imagens, fusões e uma gestalt de página que segue o valor emocional da imagem no contexto da mensagem poética, Moto Hagio e Yumiko Ôshima trabalham cada página como um mural único, a separação entre os quadrinhos desaparece pouco a pouco, surge o monólogo interior em primeira pessoa e as onomatopéias crescem de importância plástica para integrar o todo da página, na narrativa misturam-se flash-backs, saltos cronológicos sem explicações, elipses, sonhos e narrativas paralelas em uma complexidade sutil nunca antes vista, as 24 passam a expressar-se pelo quadrinho, elas criaram a linguagem que hoje chamamos mangá.

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