ÁLVARO DE MOYA (1930-2017) apresenta Flávio Calazans na "GUERRA DOS GOLFINHOS"



Mais do que a proximidade do mar (pois vive em Santos), foi o amor pelos quadrinhos, que levou Flavio Calazans realizar a novela gráfica “A Guerra dos Golfinhos”.

Mais roteirista do que desenhista, Calazans, tal como Druillet coloca as figuras humanassem segundo plano.

Nos primeiros trabalhos do francês, julgava-se que lhe faltava o domínio do desenho da arquitetura da figura.

Com o desenvolver do seu trabalho, porém, notou-se outra leitura: o homem esmagado no meio ambiente.

E Calazans, emérito fanzineiro, editor constante de seu trabalho e dos outros, participante ativista do movimento da sobrevivência dos quadrinhos nossos, é um homem multimeios, pesquisador, culto e dedica-se ao magistério.

Tal com em Druillet, a sua concepção sobrepõe- se ao desenho do homem.

Tanto se fala na dificuldade de se criar super-heróis nas histórias em quadrinhos nacionais, eis que os próprios artistas brasileiros, que teimam, como um herói, em fazer comics made in Brazil são os nossos verdadeiros super-heróis.

Bem-vindos os Calazans.

Alvaro de Moya, professor da ECA-USP, jornalista, autor dos livros “Shazam” e “História das Histórias em Quadrinhos”.

Crítica publicada na página 51 da revista “Porrada! Special” – nº 4 – Maio/junho, 1990 – Editora Vidente Ltda, - São Paulo, SP

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