Guerra dos Golfinhos


A Guerra dos Golfinhos nos leva a mais uma viagem pelo universo mítico de Flávio Calazans. Como tão bem sabe fazer, o autor consegue transportar seus personagens e elementos ficcionais à mais plausível realidade. Ao mesmo tempo, projeta a criação para uma dimensão universal, ao retratar os conflitos humanos e as lutas pelo poder.

Em outra guerra, a Guerra das Idéias, Calazans já nos apresentava as lutas que agitaram o mundo através do tempo e do espaço. Nela, pequenas histórias isoladas mostram o modo de ser e agir do homem em sua evolução por meio de confrontos históricos. A Guerra dos Golfinhos traz uma outra densidade, ao ser construída como uma história dramática perpassada pelos choques ideológicos, diferentemente de Guerra das Idéias, onde o tema era o elemento unificador.

Este detalhe faz a diferença na obra de Calazans.

A concepção de uma história em quadrinhos, assim como a de um filme, exige um trabalho complexo de elaboração, onde pesam a construção das personagens, a ambientação, o desenvolvimento dramático, as elipses, o jogo de sedução por intermédio do manejo consciente do que se deve ocultar ou expor, da ordem de aparição das cenas, de uma conclusão coerente, ainda que por vezes aberta ou não explícita.

Enfim, o domínio da narrativa e dos elementos estruturais é o que faz a graça ou infelicidade de um autor.

É justamente este domínio que vislumbramos em A Guerra dos Golfinhos, que é ainda realçada pelo traço sugestivo e personalizado de Calazans, já tão apreciado no meio independente e pelos leitores de quadrinhos mais atentos. Henrique Magalhães

http://marcadefantasia.sites.uol.com.br/albuns.htm

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